Toda vez que acontece um crime de grande repercussão no país, parece que entra em erupção um espírito vingador na população brasileira, e a vontade de justiça com as próprias mãos impera. Multidões se aglomeram em frente as casas dos assassinos ou delegacias em que estão, criminosos estes completamente desconhecidos – a não ser pela televisão – para 99,9% dessa multidão. Pessoas gritam palavras de ordem, xingam, ameaçam, impedem a passagem, as vezes até chegam as vias de fato, agredindo diretamente ou atirando objetos, ou simplesmente observando incrédulas cenas quase imutáveis na tentativa de entender como tal “barbárie” pôde ocorrer. Não que eu goste de assassinos de crianças ou dos próprios pais, mas esse tipo de comportamento é inerente a condição humana, apesar de muitos negarem e afirmarem superioridade, somos animais, animais mais adaptados mas ainda animais. A violência faz parte faz parte do instinto humano – todos já devem ter pelo menos pensado em resolver algo de forma violenta – porém para se viver em uma sociedade de um jeito harmônico (o desejável) deve haver um controle para este tipo de comportamento, esse controle são as leis. A partir do momento em que os criminosos são malhados como bonecos de judas as leis penais são atiradas no lixo e aqueles que “malham os judas” se tornam iguais a seus objetos de repulsa, tão bárbaros quanto eles, pois apelam para o mesmo artificio que reprovam, a violência.
Creio que essas “inquisições” tupiniquins ocorrem por conta do estado lamentável em que se encontra a sociedade brasileira, mais de 40.000 homicídios por ano*, o medo venceu a esperança, por conta disso o povo se sente refém, e quando tem essas oportunidades de responder diretamente(mesmo quando a violência não seja necessariamente urbana) pensa que está no direito de fazer.
Devido a certa inoperância de quem tem o poder em relação a violência, cabe apenas esperar quem serão os próximos judas do Brasil e ai sim nos vingarmos de nossa impotência cotidiana. SIMBORA MEU POVO FOGUEIRA NELES!!!!!!!!!!!!!
*Dados do Ministério da Justiça, 2005.
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