Perdi a asa. O controle foi junto com ela. Entro em parafuso, ejeto e caio numa mata fechada. O pára-quedas ficou preso numa das árvores. Não posso ficar aqui parado, saco minha faca e corto as cordas. São uns quatro metros de queda livre, vou tentar me agarrar a um galho que a um metro do chão.
Droga. Não consegui me segurar, só bati o braço na porra do galho e quebrei ele. Eles, pela dor no meu braço. Faço uma tipóia com as coisas que encontro ali e sigo em diante, não posso ficar aqui, eles já sabem que cai e onde cai, devem estar chegando.
Sede. Muita sede. Estou correndo nessa mata fechada já faz 3 horas e nada de encontrar água.
A mata está se abrindo. Finalmente, mais um pouco ia enlouquecer.
Me deparo com uma plantação, milho acho. Têm uma casa e um celeiro mais a frente não está longe. Não sei se bato a porta e peço ajuda, está tarde da noite e eles podem compactuar com o inimigo. Mas do jeito que meu braço dói não tenho muita escolha.
Quando chego mais perto vejo que tem um fazendeiro sentado na varanda. O corno entra na casa e começa a gritar. Fodeu. Espero 5 minutos pra ver o que está acontecendo. Bom, se ele estivesse do outro lado eu já estaria correndo dos tiros. Vou até a casa e tento a sorte.
Bato a porta e me deparo com uma escopeta com cano cerrado mirando ao meu peito. Levanto as mãos de imediato e vejo a família inteira. O fazendeiro deve ser o pai, aquela deve ser sua esposa e aquela sua filha. Ele abaixa a arma e volto a respirar.
- Desculpe – diz o fazendeiro – pensei que fosse um deles. Entre rápido, eles não podem te ver aqui.
Ele me puxa enquanto a filha fecha a porta atrás de mim. A mãe tira a minha tipóia tosca e pede para ver meu braço. Sou conduzido à mesa para a mãe examinar meu braço. A filha pega uma tigela de água morna e panos, o pai, uma bebida enquanto eu tento não olhar o braço.
Quando o velho me oferece a bebida tomo em um só gole. Desce queimando até a minha alma, mas já faz eu me esquecer de boa parte da dor.
- já estava me esquecendo – diz o fazendeiro – me chamo Borges. Minha esposa, que está cuidando de seu braço é a Marilena. Aquela, minha filha, é Maria.
Quando ele me fala o nome de sua filha, a olho e encaro aqueles olhos azuis. Penetrantes e impetuosos olhos azuis. Nunca vi tanto e fui visto como agora. Não sei o que essa guria tem, mas ela é diferente. Só volto a mim quando a mãe coloca o osso no lugar. A dor foi grande, mas imediata.
Borges me conduziu ao celeiro para eu passar a noite.
Acordo antes do sol. Infelizmente não por Maria, mas pela queda do feno por cima de mim. Quando estava prestes a me levantar para continuar minha jornada a base, escuto vozes inimigas. Aos gritos, parecem mandar o fazendeiro abrir a porta. Volto para debaixo do feno e saco minha pistola. Engatilho-a enquanto a porta range, eles entram e começam a me procurar. Vão primeiro para o curral. Eu tenho a oportunidade de matá-los, mas se conseguir é questão de tempo até chegar mais soldados e matar aquela família e queimar tudo. Se não fizerem pior...
Me esgueiro por baixo do feno que ainda me cobre e procuro alguma saída. A porta está entreaberta e há umas janelas de cada lado, todas fechadas, o que me deixa como única alternativa a porta. Escuto um deles subindo para me procurar no andar superior, enquanto outro fica com a arma apontada para a cabeça do fazendeiro. Quando ele se distrai saio do celeiro. Começo a corrida em direção a plantação, onde não me acharão.
O que não previa era que tivesse um terceiro soldado. Este em frente da casa, com a mãe e filha em sua mira. O soldado, um jovem que ainda tem espinhas na cara, mas, pelo seu olhar conhece o rigor da batalha. De moleque, nada têm. Ele levanta sua submetralhadora em minha direção e grita para os colegas. Droga. Fui pego.
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Um comentário:
massa
mais faltou mais mortes e sangue
e achei q i ter mais mortes
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