- Chegamos! – grito
- Alleluia! – diz Fernandes
- Vamos, não podemos ficar aqui fora. – diz o tenente - Tenho coisas à fazer e vocês precisam tomar um banho e comer, tão precisando.
- Nunca apoiei tanto uma decisão sua – diz Fernandes, que logo já é repreendido por um olhar censurador do tenente.
Eu e Fernandes nos dirigimos a enfermaria para tratar de um corte na minha perna. O tenente vai direto falar com os oficiais, coitado, depois de tanta coisa ainda ter que aturar aquele bando de babacas que nunca virão um alguém morrer ao seu lado.
- Ainda bem que conseguimos essa cidade em Fernandes.
- É verdade, só assim para nóis ter algum lugar pra durmi.
Começo a sentir um cheiro de sangue e pólvora, é estamos chegando a enfermaria. Quando a vejo eu percebo o quão sortudo somos por só eu ter me machucado e além disso ser tão leve. Pilhas e pilhas de corpos de soldados mortos, berros dos que ainda vivem ecoam dentro daquele prédio que por todo o resto de sua existência será amaldiçoado. Quando encontro uma enfermeira Fernandes me puxa e fala em meu ouvido:
- Melhor não. Só os que tão muito fudidos tão aqui. Lava lá na bica e vamo comer, senão a tia aí vai querer te bater se tu pedir pra ser tratado só por causa disso.
Concordo, e nos dirigimos aos banheiros. Depois de 3 dias sem banho, essa imundice que chamaram de banheiro pra mim é o paraíso. Lavo o corte e tomo meu banho enquanto Fernandes leva nossas coisas para a lavanderia. Droga, o corte não é tão leve quanto pensei, essa porra ta infeccionando. Fudeu, vou ter que ir para a enfermaria de qualquer jeito. Agora cadê o bosta do Fernandes com roupas pra mim? Ele falou que ia demorar menos de 2 minutos. Que barulho é esse? Motores? Isso parece motores de aviões, mas não temos nenhuma base de avioe... fudeu. Me enrolo na toalha e começo a descer as escadas. Quem foi o merda que colocou a porra do banheiro no terceiro andar? Escorrego numa poça de água e bato o corte. Essa porra voltou a sangrar e abriu, agora ta com um palmo. Ta difícil de andar, e eu preciso sair do prédio. Escuto Fernandes me chamando e logo respondo:
- Vem aqui me ajudar! A porra do corte abriu e eu mal consigo andar.
Fernandes me ajuda a descer os 2 últimos lances de escada, quando pisamos na rua uma bomba explode o prédio inteiro. Vôo 15 metros do lugar que eu estava, olho pro lado e vejo Fernandes sem metade da cabeça arrancada por um estilhaço. Olho pra baixo para ver se ainda estou inteiro e vejo a placa de metal de 1 metro que está me dividindo ao meio. Frio, escuro, luz no fim do túnel... é como sempre disseram, mas...
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3 comentários:
me gusto!
heuehuaheuhauheuha
eu achei mais legal esse q o primeiro... :)
ótemo
como a nyna disse, esse tá melhor que o outro
ficou bem realista os detalhes, as conversas...
btw...
por acaso vc teve inspiração em "A luta vã" do "Relatos de sonhos e lutas"?
Rox fico bom sim
tah me surpreendendo em pingin
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